Romantismo - Parte II
Álvares de Azevedo

Álvares de Azevedo é o melhor representante da Segunda Geração da Poesia Romântica, também chamada Mal-do-Século (referência à tuberculose, doença que matou a maioria dos jovens poetas desse tempo) ou mesmo Byroniana (referência ao seu mentor, o inglês Lord Byron). Os textos desse grupo tiveram como características a melancolia, o tédio, o desencanto pela vida, a obsessão pela morte e outros aspectos mórbidos e malditos, como canibalismo, assassinato, necrofilia. Também se caracterizaram por expressarem um apego à infância e à família, além da idealização extrema da figura feminina, a ponto de ela aparecer ou no mundo dos sonhos, da fantasia amorosa, ou de forma pouco nítida (entre a neblina, sombras e afins).
No entanto, a qualidade de Álvares de Azevedo está na superação desses elementos, a começar pela coragem em trabalhar, ainda que discretamente, com imagens eróticas, como se percebe no poema “Soneto”. Além disso, o seu senso crítico permitia enxergar os exageros do Mal-do-Século, o que o fez assumir uma postura de deboche e até de paródia, notada em poemas como “É Ela, É Ela” e “Namoro a Cavalo”. Há quem diga que tal inteligência se devia ao fato de o poeta, jovem frágil, ter mergulhado nos livros. Esse argumento, contudo, só consegue justificar o caráter cerebral de sua poesia, que tem muito de análise, de cálculo. Daí a profusão de epígrafes em seus poemas, a revelar o universo de leituras do Bardo.
Outro elemento interessante em Álvares de Azevedo é o caráter prosaico de seus melhores textos. A linguagem assume um ritmo solto, fluente, natural, quase não dando para se perceber que se trata de versos metrificados. Sua temática é simples, cotidiana, como em “Idéias Íntimas”, em que o poeta está apenas descrevendo os objetos de seu quarto. Ou seja, Álvares de Azevedo produziu uma poesia que o manteve solitário em 1852, pois suas características só iriam surgir efetivamente com o Modernismo, principalmente em Libertinagem (1930), de Manuel Bandeira. Foi, assim, além do seu tempo ao provar que a verdadeira poesia não precisa buscar seu tema nas alturas e muito menos usar linguagem empolada.
Sua melhor obra é Lira dos Vinte Anos. Também escreveu um conjunto de contos macabros, reunidos sob o título de Noite na Taverna.
SONETO
pintura de Eugène Delacroix
:: Postado por
Gaivota
às
18h23
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