Barroco

 

Com  a  queda do Império Português em 1580, além  do terror  espalhado pela Contra-Reforma e seu aparelho mais  eficiente,  a  Santa  Inquisição, desaparece  o  terreno   otimista  do Classicismo.  É chegado o momento do Barroco.
Essa  nova  escola literária  expressará  um  pessimismo  e  uma  visão problemática  da existência. Tal  angústia, reforçada pela   consciência da transitoriedade dos bens da vida (efemeridade),   jogará    essa   arte numa  busca  frenética  da  religiosidade cristã.
Tal  desespero pedirá  um  largo emprego de figuras  de  linguagem que expressam  as  oposições  dramáticas  por  que  passa  o  espírito  de seus artistas. É o grande  momento das      antíteses,     paradoxos     e oxímoros. 
No  entanto,  nem  só  de oposições será  feito  o  Barroco.  Haverá uma predileção  por  todo e qualquer tipo de  elaboração  poética. Para   essa arte, quanto mais enfeitado o  texto, melhor.  Em outras palavras, impera o malabarismo verbal, a  ornamenta-
ção exagerada.

O primeiro autor de fato da Literatura Brasileira é Gregório de Matos Guerra. Famoso na época por causa de sua Poesia Satírica, licenciosa e obscena, ganhou o apelido de Boca do Inferno. A explicação para essa verve, crêem alguns, está ligada ao fato de o poeta sentir-se injustamente rejeitado: é branco, sangue português, mas não faz parte da elite que manda na Bahia, mestiça de índio com europeu. Assim, a acidez de suas críticas, muitas vezes atacando defeitos que ele mesmo possuía ou praticava, teria fundamento preconceituoso e despeitado.

NA minha opinião eis a poesia mais bela dessa época:

Soneto

Ardor em firme coração nascido;
Pranto por belos olhos derramado;
Incêndio em mares de água disfarçado;
Rio de neve em fogo convertido:

Tu, que em um peito abrasas escondido;
Tu, que em um rosto corres desatado;
Quando fogo, em cristais aprisionado;
Quando cristal, em chamas derretido.

Se és fogo, como passas brandamente?
Se és neve, como queimas com porfia?
Mas ai, que andou Amor em ti prudente!

Pois para temperar a tirania,
Como quis que aqui fosse a neve ardente,
Permitiu parecesse a chama fria.

Gregório de Matos Guerra

 

:: Postado por Gaivota às 16h43
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Classicismo

 

Quando  se  olha  o  gigantismo  que atingiu o Império Português no  século XVI, parece ser mais  do que coincidência a retomada que a literatura lusitana   realizou,   nesse   período, dos  ideais  de  dois  impérios clássicos: grego e romano. Esse resgate, portanto,  é  que  chamamos Classi-cismo, vertente literária do  Renascimento, que já dominava a Europa de então.
Os  valores  que  entram  em  voga são: imitação de modelos clássicos, mitologia  clássica,  antropocentrismo,   euforia,   otimismo,    equilíbrio, razão,  harmonia, perfeição  formal  e  universalismo. Soma-se a isso: o ideal de que a arte,  além   de  gerar prazer estético, deve preocupar-se em defender valores  morais  (ideal ético-estético) e a mistura do  Paganismo com o  Cristianismo (fusionismo).   No   caso  de  Portugal,   mais outro aspecto  deve  ser acrescentado: o orgulho nacionalista  exagerado (ufanismo).
Iniciando   em    Portugal   em   1527, quando Sá de Miranda,  de  volta da Itália, trouxe a  medida  nova  (verso decassílabo clássico), essa  escola literária se  extenderá só  até  1580. No entanto,  será a época  de maior poeta  da  Língua  Portuguesa,  Luís  Vaz de Camões,  e  de duas  obras monu mentais, Os Lusíadas  (1572) e Rimas (1595).

Foi difícil pra mim escolher uma de Camões, então decidi por duas. Espero que gostem!

 

Alma minha gentil

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma coisa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

 

Amor é um fogo que arde sem se ver

Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

:: Postado por Gaivota às 12h11
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